domingo, 23 de outubro de 2016

Vídeos - Cidadania: algumas reflexões

Queridos alunos, logo abaixo estão três vídeos que discutem o conceito de Cidadania. O primeiro é uma pequena aula do prof. Thiago Paiva sobre o termo, o segundo é do INEP - Enade (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sobre a política e a lei da ficha limpa, e o terceiro sobre algumas ideias do saudoso sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e sua incansável luta contra a miséria e a fome no Brasil.
Espero que gostem.

Tópicos para reflexão:

  • Ética & Cidadania: conceitos, práticas e reflexões;
  • Democracia x Ditadura;
  • Política: Lei da Ficha Limpa;
  • Cidadania x Desigualdade Social;
  • Quem foi Herbert de Souza?
  • Cidadania x Miséria.







sábado, 29 de novembro de 2014

Queridos amigos, alunos e colegas: como vão?

Recentemente, eu crei um novo blog intitulado "Historiar e Educar" que se destina a auxiliar os alunos do curso semipresencial de História na disciplina de História da América Colonial (História da América I). Gostaria de pedir para que vocês comentem e/ou deixem suas sugestões lá. É só clicar aqui! Agradeço o carinho e a visita de vocês!


quinta-feira, 27 de março de 2014

Para refletir: o conceito de Sustentabilidade

ATUALIDADES

Caros alunos,

aqui eu postei um pequeno vídeo explicando o conceito de Sustentabilidade, tema muito discutido atualmente.


Entenda a crise na Venezuela

HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE - ATUALIDADES

Bandeira da Venezuela - WebBusca


Queridos alunos,

aqui eu listei alguns links que explicam a crise na Venezuela:


G1 - Mundo - Entenda os protestos na Venezuela: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/02/entenda-os-protestos-na-venezuela.html

Carta Capital: Entenda os protestos na Venezuela: http://diariodenoticias.com.br/noticias.asp?idnoticia=6999&act=det

BBC - Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140217_protestos_venezuela_entenda_cc.shtml

Obs: Vejam se existem diferentes pontos de vista sobre a crise nestas matérias.

Entenda a crise na Criméia

HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE - ATUALIDADES

Infográfico - Diário de Notícias


Queridos alunos,

aqui eu listei alguns links para que vocês possam entender esta crise:

G1 - Entenda a crise na Criméia - http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/03/entenda-crise-na-crimeia.html

Guia do Estudante - http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/atualidades-vestibular/entenda-a-crise-na-crimeia/

Diário de Notícias - Infográfico: http://diariodenoticias.com.br/noticias.asp?idnoticia=6999&act=det

segunda-feira, 24 de março de 2014

Filme "Getúlio" - Trailer 2014

Caros alunos,

saiu o trailer do filme "Getúlio" com Tony Ramos no papel principal. Vamos ao cinema?



Tópicos para comentários:

  • A relação entre Cinema e História;
  • O queremismo;
  • Carlos Lacerda;
  • O segundo governo Vargas;
  • O suicídio de Vargas em 1954.

domingo, 23 de março de 2014

Marcha, Golpe Civil-Militar, Ditadura e Democracia.

HISTÓRIA DO BRASIL - CONTEMPORÂNEO

Queridos alunos, como vão?

Neste último sábado, nós tivemos uma marcha intitulada "Marcha da família com Deus pela liberdade" relembrando, em parte, a marcha de mesmo nome que antecedeu ao golpe civil-militar que instalou um regime ditatorial no nosso país por mais de 20 anos. Não foram muitos os manifestantes que participaram deste evento mais recente, mas alguns cartazes observados por mim nos jornais e na internet pediam o fim da corrupção no país e, também, o fim do comunismo (?) no Brasil. Alguns, ainda, desejavam a volta da ditadura militar ao nosso país. Será esta última reclamação a melhor solução para o nosso país? Quais são as diferenças entre um regime democrático de direito e um regime ditatorial? Você está lembrado? Logo abaixo, eu separei alguns links que contam a história do golpe civil-militar, o governo que antecedeu a este fato, o do presidente João Goulart, e sites que comentaram sobre esta nova marcha.

Links: 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Filme "A Onda" impulsiona um debate sobre autocracia e democracia

O professor com seus alunos no filme "A Onda" - Imagem da Internet


O filme alemão, A Onda, de 2008, foi baseado em fatos reais e conta a história de um professor de um curso sobre autocracia, que numa tentativa de ensinar seus alunos este conceito, acaba criando uma espécie de comunidade "disciplinada", ordenada, em que todos os alunos que fazem parte do tal projeto ajudam-se mutuamente. Acontece que esse experimento sai do controle e a maior parte dos alunos do curso começam a impor suas ideias aos outros estudantes e excluindo aqueles que não concordam com a criação da "Onda", nome dado por eles à tal comunidade. O final trágico revela os perigos da não-reflexão sobre governos autoritários, medidas violentas e extremistas contra opositores, além do papel dos professores em sala de aula. Vale uma boa reflexão com os alunos sobre alguns conceitos históricos, tais como: autocracia, fascismo, nazismo, ditadura, anarquia e democracia.

Filme A Onda - Imagem da Internet

Mais informações sobre o filme: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-134390/



Queridos alunos e queridos leitores:

Nós, do JHistBlog, estamos atualizando nossos conteúdos. Ou seja, nós iremos fazer algumas "reformas", mas com o objetivo de atendermos melhor ao nosso público, sobretudo, aos alunos do Ensino Médio e Fundamental, que nos pedem orientações sobre trabalhos, pesquisas e provas. Esperamos igualmente que gostem dos novos "posts". Abraços da Professora Carla e Equipe.

Blog sendo atualizado!

quinta-feira, 7 de março de 2013

8 de Março - Dia Internacional da Mulher


Para quem não sabe a origem da data:

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os Arquivos Secretos do Vaticano

Queridos alunos,


Vocês já viram o filme "Anjos e Demônios" baseado na obra do escritor Dan Brown, o mesmo do best-seller que também virou filme, "O Código Da Vinci"? Pois, vejam! Em "Anjos e Demônios", o personagem interpretado pelo grande ator, Tom Hanks, tenta desvendar um mistério envolvendo o desaparecimento de quatro cardeais. Mas para isso, ele terá que obter a permissão do próprio Vaticano para acessar a sua Biblioteca que contém arquivos sigilosos e analisar apenas alguns documentos. Este filme dá uma pequena noção de quanto estes arquivos podem não só ajudar a entender uma série de eventos envolvendo a Igreja Católica, como também, a própria história do Cristianismo.
O filme "Anjos e Demônios"


Recentemente, os Arquivos Secretos do Vaticano foram abertos ao público ou, pelo menos, uma parte deles. Nestes arquivos, poderemos analisar: os interrogatórios a que Galileu Galilei foi submetido; as acusações contra os cavaleiros templários da França e a curiosa amizade entre o Papa Bento XIV e o filósofo Voltaire, duas personalidades com ideias antagônicas na época. Veja no link: http://glo.bo/Lssz45 


O Vaticano
Referência: Globo News http://glo.bo/Lssz45


Links:
http://www.vaticanlibrary.va/


A Santa Sé - Bibliotecahttp://www.vatican.va/library_archives/vat_library/index_po.htm



segunda-feira, 26 de março de 2012

O Quilombo Sacopã - RJ

Quilombo Sacopã


Hoje, eu li uma reportagem no Jornal O DIA que me deixou intrigada. Segundo a reportagem, o vereador do PSOL, Eliomar Coelho, quer que a Câmara vote um projeto de sua autoria  que "propõe a criação da Área de Especial Interesse Cultural (Aeic) do Quilombo Sacopã." Parece que pela reportagem, este projeto tem causado um grande incômodo para os moradores da área, Lagoa, que é considerada nobre no Rio de Janeiro.
Segundo o Blog "Tambores Falantes": "O quilombo fica na Rua Sacopã, 250 e é o único em área urbana no Rio reconhecido pelo governo federal. O lugar, num dos bairros mais valorizados do Rio, começou a ficar famoso na década de 70, por causa de uma roda de samba e também da feijoada oferecida ao público."
 

Segundo o site da Fundação Cultural Palmares, " O Quilombo Sacopã teve início com achegada da família Pinto, da qual Luiz Sacopã faz parte, ao Rio de Janeiro, no século XIX. A família vivia em uma comunidade quilombola em Nova Friburgo e deixou o local em busca de melhores condições de vida. Eles se instalaram na área do quilombo, onde herdeiros vivem até hoje, e que, na época, não passava de um grande matagal. A comunidade é devidamente certificada pela Fundação Cultural Palmares, e seu processo de regularização fundiária está em andamento no Incra -RJ."



Na reportagem de O DIA, moradores do local que inclue terrenos de 22 condomínios onde vivem cerca de 220 pessoas, argumentam que Manuel Pinto, patriarca da família que seria quilombola, só passou a morar na área décadas depois da Abolição da Escravidão. Mas ainda há remanescentes, segundo a Fundação Cultural Palmares ligadas ao Governo Federal. Tanto o vereador Eliomar Coelho quanto o Blog "Tambores Falantes" alegam que o s remanescentes são vítimas de preconceito.




Sobre os Quilombos: 

Segundo Ronaldo Vainfas, os quilombos foram a forma mais comum de resistência à opressão escravista, a fuga e a formação de grupos de escravos fugidos foi comum a todas as sociedades escravistas conhecidas. O historiador destaca que alguns quilombos se organizaram próximo a grandes cidades, como os quilombos de Iguaçu, no rio de Janeiro. Ali, por todo o século XIX, escravos aquilombados em vários em vários acampamentos provisórios às margens dos rios Sarapuí e Iguaçu, beneficiados pela topografia da região cercada de manguezais, mantiveram contatos permanentes com barqueiros, taberneiros e comunidades de senzala das fazendas vizinhas, fazendo chegar seus produtos, especialmente a lenha que cortavam, até o mercado da Corte. 



O mais famoso dos Quilombos já formados foi o dos Palmares controlado pela figura enigmática e heróica de Zumbi. Localizado na Serra da Barriga, no atual região de Alagoas, Palmares era um lugar de difícil acesso em que os capitães do mato não conseguiam chegar e tornou-se um dos símbolo da resistência contra os horrores da Escravidão. Segundo o historiador Jaime Pinsky, Palmares foi "um verdadeiro estado dentro do estado, com relações econômicas estáveis, estrutura socieconômica estabelecida e contatos comerciais com vilas próximas, em pleno século XVII e com duração total de 67 anos, segundo se crê. E isto no Nordeste brasileiro, área das mais povoadas e desenvolvidas da colônia na época. O historiador ainda ressalta que houve quilombos em São Paulo, na Bahia, no Norte e em Mato Grosso onde, curiosamente, uma mulher chegou a governar.



Referências  e Links para a pesquisa:

Livros: 
Ronaldo Vainfas (Org.) Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889) . Editora Objetiva.
Jaime Pinsky. A Escravidão no Brasil. Editora Contexto.

sábado, 12 de novembro de 2011

Edward Thompson e Michel Foucault: trabalho e disciplina


Prezados amigos, eu tive a ideia de postar alguns trabalhos meus realizados na Universidade. Este trabalho trata de um aspecto do livro do historiador Edward Thompson, Costumes em Comum e de um aspecto do famoso livro de Michel Foucault, Vigiar e Punir. Citei outros autores que achei pertinente ao tema. Aviso que não houve ainda uma revisão no texto e me desculpem os eventuais equívocos. Espero que gostem!



Nas diferentes fases da Revolução Industrial perceberemos como as classes dominantes irão exercer um controle ou seu domínio sobre a classe do proletariado, principalmente no que se refere ao campo dos símbolos e das representações para poderem não só dominar os corpos dos trabalhadores, como também, seus imaginários. Aqui, neste trabalho, procuraremos nos ater a primeira e a segunda fase da revolução e como esta disciplinarização atingiu também as escolas.
Com a primeira revolução industrial, grande massa de trabalhadores ingleses oriundos das áreas agrícolas, necessitava ser disciplinada para poderem produzir o máximo que podiam a seus patrões. Na passagem do espaço da manufatura para o espaço fabril, Edward Thompson descreveu um antigo poema do século XVII, uma versão satírica sobre a irregularidade geral da semana do trabalho:

“Sabemos que a segunda-feira é irmã do domingo;
A terça também;
Na quarta-feira temos que ir à igreja e rezar;
A quinta-feira é meio feriado;
Na sexta-feira é tarde demais para começar a fiar;
O sábado é outra vez meio-feriado.”[1]

Diante dos aspectos do poema citado acima, podemos perceber que não havia uma regularização ou uma obediência com relação ao tempo de trabalho nas antigas oficinas em que o exercício da profissão era feito em casa e os artesãos usavam suas próprias ferramentas. A noção de tempo para estes trabalhadores ingleses, ainda no início do século XVIII, era a idéia do tempo através dos feriados religiosos, das badaladas da igreja, das festas tradicionais e etc. Veremos como nos século XVIII e XIX, os patrões tiveram que lidar com os trabalhadores indisciplinados. Nesta mesma questão trabalha-se na transição do espaço da manufatura para o espaço da fábrica, ou seja, os trabalhadores reunidos no


[1] THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In: ____. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1982. p. 281.

mesmo galpão sobre a vigilância de um inspetor ou do próprio patrão.[1] O relógio passa a delimitar o tempo, sendo colocado num ponto alto da fábrica onde todos possam ver as horas. Caso um trabalhador conversasse ou se atrasasse, este era punido com em seu trabalho ou demitido do emprego. Podemos observar essa vigilância como uma espécie de panóptica descrita por Michel Foucault:

“Percorrendo-se o corredor central da oficina, é possível realizar uma vigilância ao mesmo tempo geral e individual; constatar a presença, a aplicação do operário, a qualidade de seu trabalho; comparar os operários entre si, classificá-los segundo sua habilidade e rapidez; acompanhar os sucessivos estágios da fabricação. Todas essas seriações formam um quadriculado permanente: as confusões se desfazem ; a produção se divide e o processo de trabalho se articula por um lado segundo suas fases, estágios ou operações elementares, e por outro, segundo os indivíduos que o efetuam, os corpos singulares que a ele são aplicados [...].”[2]

Esta disciplina era exercida pelo patrão ou pelos próprios colegas de trabalho. Havia um controle do tempo e do espaço nas fábricas em que todos eram vigiados para que a produção atingisse cada vez mais níveis superiores e o trabalhador, por sua vez, exercesse suas atividades com mais rapidez e mais responsabilidade.
Essa vigilância e o medo de ser punido faziam com que os operários trabalhassem horas seguidas em um sistema repetitivo e exaustivo. Num princípio chamado de “quadriculamento individualizante” descrito pelo mesmo autor, no fim do século XVIII, era necessário distribuir os indivíduos, isolá-los e localizá-los, e com isso, poder exercer um controle sobre seus corpos. Isto também revelou um domínio sobre o imaginário destes operários. Segundo Bronislaw Baczko,

“As ciências humanas punham em destaque o facto de qualquer poder, designadamente o poder político, se rodear de representações colectivas. Para tal poder, o domínio do imaginário e do simbólico é um importante lugar estratégico.[3]

Com medo das sanções ou do que pudesse vir a acontecer como formas de punições, grande massa de operários trabalhavam nas fábricas, produziam cada vez mais, se machucavam, viviam em péssimas condições de vida, mas obedeciam a seus patrões mesmo assim. Essa forma de obediência cega revelou uma “docialidade automática”, corpos sendo subjugados por um sistema de trabalho e por seus supervisores, às vezes, de forma até subconsciente, uma obrigação natural (doxa), de ir trabalhar mesmo doente, mesmo quando não se quer exercer a função, com receio do que poderia acontecer caso fossem contra a este sistema de dominação vigente.

Tempos Modernos - Charles Chaplin

Tanto no século XVIII e, sobretudo, no século XIX com o Fordismo, vemos o espaço da fábrica cada vez mais dividido, seriado, padronizado e o homem como uma continuação da máquina ou sendo “engolido” por ela como podemos observar no genial filme de Charles Chaplin em “Tempos Modernos”. Movimentos repetitivos, gestos padronizados, rítmicos e vigiados, não necessitavam de uma mão-de-obra qualificada. A grande massa trabalhadora não precisava ser educada. Apenas os filhos da burguesia ou da aristocracia estudavam, conforme mostra Hobsbawm:

“Até mesmo as famílias aristocráticas que desejavam educação para seus filhos confiavam em tutores e universidades escocesas. Não havia qualquer sistema de educação primária antes que Quaker Lancaster [...] lançasse uma espécie de alfabetização em massa, elementar realizada por voluntários, no princípio do século XIX, incidentemente selando para sempre a educação inglesa com controvérsias sectárias. Temores sociais desencorajavam a educação dos pobres.
Felizmente poucos refinamentos intelectuais foram necessários para se fazer a revolução industrial. Suas invenções técnicas foram bastante modestas e sob hipótese alguma estavam além dos limites de artesãos que trabalhavam em suas oficinas [...].”[4]

É notório perceber na obra de Foucault que no século XVIII, os corpos passam a ser objeto e alvo de poder tanto na esfera pública quanto na esfera privada e também em lugares que nem poderíamos citar como um ou outro (igrejas e escolas, por exemplo). Nas escolas, perceberemos com o avanço da Revolução Industrial, uma modificação espacial nas salas de aula e a divisão das tarefas entre alunos mais adiantados e os que estão na fase inicial. O objeto que pode regular o tempo também é o relógio exposto no alto das salas e o sino que toca para avisar quando uma aula termina e quando outra deve começar. Os alunos posicionados em fileiras, um de costas para o outro e todos escutando o professor e obedientes a ele. Caso ocorresse algum tipo de comportamento inadequado dentro de sala (conversas e risos, por exemplo), os professores poderiam “punir” seus alunos com castigos, alguns até físicos. Para evitar este tipo de medida drástica (a palmatória, por exemplo), alguns professores selecionavam os alunos mais adiantados ou mais inteligentes para fiscalizar outros alunos, fazendo assim com que não houvesse desperdício de tempo. Vejamos o que Foucault escreveu:

“Mas é sem dúvida no ensino primário que esse ajustamento das cronologias diferentes será mais útil. Do século XVII até a introdução, no começo do XIX, do método Lancaster, o mecanismo complexo da escola  mútua se construirá uma engrenagem depois da outra: confiaram-se primeiro aos alunos mais velhos tarefas de simples fiscalização, depois de controle do trabalho, em seguida, de ensino; e então no fim das contas, todo o tempo de todos os alunos estava ocupado seja ensinando seja aprendendo. A escola torna-se um aparelho de aprender onde cada aluno, cada nível e cada momento, se estão combinados como deve ser, são permanentemente utilizados no processo geral de ensino.”[5]

Sendo assim, tanto os operários nas fábricas quanto os alunos nas escolas eram controlados por aqueles que exerciam o poder sobre seus imaginários. Tanto o discurso dos patrões quanto dos professores e o medo de serem punidos caso tivessem um comportamento inadequado, fazia com que trabalhadores e alunos obedecessem a uma padronização de seus comportamentos, ou seja, divididos em série nos seus espaços (fábricas e escolas), hierarquizados pelas suas funções e/ou habilidades, obedecendo ao ritmo do relógio posto no alto de cada espaço, sendo vigiados por seus colegas ou por seus superiores.
O importante também é ressaltar que Foucault se refere a uma dominação no sentido vertical, mas de cima para baixo. Os patrões e os mestres exemplificados aqui exerciam o controle sobre seus subordinados. Já Baczko fala de uma dominação mais ampla, isto quer dizer que os próprios trabalhadores ou os alunos poderiam exercer certo poder sobre seus superiores, como por exemplo: os trabalhadores diante de suas péssimas condições de trabalho iriam exigir leis que possam garantir mais segurança ou se aliavam a grupos sindicais. Na escola, não só os alunos se negariam a estas práticas mecânicas de aprendizado, mas os próprios professores optariam por outras formas de ensino em que os educandos participassem mais das aulas ao invés apenas de serem receptores de informações.
Com isso, ressaltamos mais uma vez, que quem controla o imaginário de um indivíduo, exerce o poder sobre ele e este exercício de poder normatiza ou direciona o que seria um comportamento social aceitável ou não.

Autora: Carla Magdenier Sobrino
Disciplina: História Cultural
UGF: 2010

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BACZKO, B. Imaginação Social. In: LEACH, Edmund et alli. Anthropos-Homem. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1985.
FOUCAULT, M. Os corpos dóceis. In:____. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1977. Cap. 1, pp. 125-152.
HOBSBAWM, E. J. A revolução industrial. In:____. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. 18. ed.  São Paulo: Paz e Terra, 2004. pp. 49-82.
MENEZES, Eduardo. A (re) significação da noção de espaço na Geografia Escolar: a contribuição poética bachelardiana e da teoria do imaginário. Niterói: UFF, 2010.
THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In: ____. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1982.


[1] MENEZES, Eduardo. A (re) significação da noção de espaço na Geografia Escolar: a contribuição poética bachelardiana e da teoria do imaginário. Niterói: UFF, 2010.
[2] FOUCAULT, M. Os corpos dóceis. In:____. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1977. Cap. 1, p. 133.
[3] BACZKO, B. Imaginação Social. In: LEACH, Edmund et alli. Anthropos-Homem. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1985. p. 297.
[4] HOBSBAWM, E. J. A revolução industrial. In:____. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. 18. ed.  São Paulo: Paz e Terra, 2004. pp. 53-54.
[5] FOUCAULT, M. Os corpos dóceis. In:____. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1977. Cap. 1, p. 149.

Blogs de Amigos

Olá, pessoal! Recomendo dois blogs de professores amigos:

http://chibatas.blogspot.com/  Sobre a Revolta da Chibata com vasta documentação. Vale a pena ver!
Professor Eduardo Seabra.

http://tiradenteseaiconografia.blogspot.com/  Sobre o mito criado em torno da figura de Tiradentes durante o período Republicano. Muito bom! Professor Tauã Silva.


domingo, 12 de junho de 2011

História de São Valentim - História e Tradição - Dia dos Namorados e São Valentim 2011

O Dia dos Namorados é celebrado naquele que até 1969, era o Dia de São Valentim. No entanto a Igreja Católica decidiu não celebrar os santos cujas origens não são claras. Isto porque até nós chegaram relatos de pelo menosdois Valentim, santos martirizados, directamente relacionados com o dia 14 de Fevereiro.

As raízes deste dia remontam à Roma Antiga e à Lupercália, festa em homenagem a Juno, deusa associada à fertilidade e ao casamento. O festival consistia numa lotaria, onde os rapazes tiravam à sorte de uma caixa, o nome da rapariga que viria a ser a sua companheira durante a duração das festividades, normalmente um mês. A celebração decorreu durante cerca de 800 anos, em Fevereiro, até que em 496 d.c., o Papa Gelásio I decidiu instituir o dia 14 como o dia de São Valentim, para que a a celebração cristã absorvesse o paganismo da data. Vejam mais em:
História de São Valentim - História e Tradição - Dia dos Namorados e São Valentim 2011

O Globo :: Rio :: Festa Junina

O Globo :: Rio :: Festa Junina

Celebração medieval que foi incorporada pela Igreja Católica, a festa junina chegou ao Brasil por intermédio dos padres jesuítas durante o processo de colonização no século XVI. Os religiosos portugueses usavam as festividades cristãs para passar o ideário da doutrina da Igreja aos índios. Inicialmente, a comemoração não tinha o formato que conhecemos hoje, mas com o tempo foi sofrendo um processo de hibridismo cultural. A comida foi modificada, e a dança e a música incluídas.

domingo, 5 de junho de 2011

Filme "Cafundó" com Lázaro Ramos



Amigos do JHistBlog,


Ontem eu assisti a um filme com o grande ator, Lázaro Ramos. O nome da película é "Cafundó" e trata das questões relativas ao sincretismo religioso brasileiro. Grande parte do filme é ambientada no final do século XIX. O personagem João de Carmago vivido por Lázaro é um ex-escravo, que escuta vozes e tem visões e junto com um outro amigo liberto luta pela sobrevivência. Após uma decepção amorosa, João de Camargo passa por uma verdadeira transformação e funda uma pequena igreja, com imagens de pretos velhos, entidades africanas e santos católicos. Ao que parece, João de Camargo existiu e morreu em 1942.

Recomendo o filme no sentido de entendermos um pouco mais sobre o universo de nossa rica cultura.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mensagem para os amigos do JHistBlog

Prezados amigos do JHistBlog,

Estive afastada do nosso site para resolver questões acadêmicas. Em breve, eu postarei assuntos diversos relacionados à nossa querida ciência ou à cultura em geral. Peço-lhes desculpas pela minha ausência e por mudar os aspectos relacionados à privacidade. Infelizmente, usaram nossa caixa de mensagens (cbox) para bater papo, jogar conversa fora, etc. Eu quis apenas propiciar um espaço para que alguns estudantes ou colegas de profissão deixassem suas mensagens com críticas/ sugestões ou até os endereços de seus blogs, o que alguns gentilmente já estavam fazendo. No entanto, outras pessoas usaram o nosso cbox (chat) como um messenger particular e esse não é o nosso objetivo.
Bem, meus amigos, espero que dêem uma olhada aqui de vez em quando e comentem os posts que em breve aparecerão.


Outra coisa importante: o nome do nosso blog mudou: Jovens na História Blog agora é JHistBlog


Estamos atualizando aos poucos...

Um grande abraço.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Egito: o presidente Mubarak renuncia após uma onda de protestos




Após permanecer no poder por quase três décadas, Hosni Mubarak, de 82 anos, renunciou nesta sexta-feira à Presidência do Egito, após 18 dias de protestos nas ruas da capital, Cairo.
A renúncia foi anunciada na TV estatal pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman. Segundo ele, Mubarak entregou a responsabilidade de conduzir a nação a um alto conselho militar.
Mais informações sobre a trajetória de Mubarak no site da BBC – Brasil


O Egito Moderno

A breve invasão francesa do Egito em 1798, chefiada por Napoleão Bonaparte, resultou num grande impacto no país e em sua cultura. Os egípcios foram expostos aos princípios da Revolução Francesa e tiveram a oportunidade de exercitar o auto-governo.[13] À retirada francesa seguiu-se uma série de guerras civis entre os turcos otomanos, os mamelucos e mercenários albaneses, até que Mehmet Ali, de origem albanesa, tomou o controlo do país e foi nomeado vice-rei do Egito pelos otomanos em 1805. Ali promoveu uma campanha de obras públicas modernizadoras, como projetos de irrigação e reformas agrícolas, bem como uma maior industrialização do país, tarefa continuada e ampliada por seu neto e sucessor, Ismail Paxá.

A Assembleia dos Delegados foi fundada em 1866 com funções consultivas e veio a influenciar de maneira importante as decisões do governo.[14] A abertura do canal de Suez pelo Quediva Ismail, em 1869, tornou o Egito um centro mundial de transporte e comércio, mas fez com que o país contraísse uma pesada dívida junto às potências europeias. Como resultado, o Reino Unidotomou o controlo do governo egípcio em 1882 para proteger os seus interesses financeiros, em especial os relativos ao canal.

Logo após intervir no país, o Reino Unido enviou tropas para Alexandria e para a zona do canal, aproveitando-se da fraqueza das forças armadas egípcias. Com a derrota do exército egípcio na batalha de Tel el-Kebir, as tropas britânicas alcançaram o Cairo, eliminaram o governo nacionalista e dissolveram as forças armadas do país. Tecnicamente, o Egito permaneceu como uma província otomana até 1914, quando o Reino Unido derrubou Abbas II, último quediva egípcio, e formalmente declarou o Egito um protetorado seu. Hussein Kamil, tio de Abbas, foi então nomeado sultão do Egito.

Entre 1882 e 1906, surgiu um movimento nacionalista que propunha a independência. O Incidente de Dinshaway (em que soldados britânicos abriram fogo contra um grupo de egípcios) levou a oposição egípcia a adoptar uma posição mais forte contra a ocupação do país pelo Reino Unido. Fundaram-se os primeiros partidos políticos locais. Após a Primeira Guerra Mundial, Saad Zaghlul e o Partido Wafd chefiaram o movimento nacionalista egípcio, ganhando a maioria da assembleia legislativa local. Quando os britânicos exilaram Zaghlul e seus correligionários para Malta em 8 de Março de 1919, o país levantou-se na primeira revolta de sua história moderna. As constantes rebeliões por todo o país levaram o Reino Unido a proclamar, unilateralmente, a independência do Egito, em 22 de Fevereiro de 1922.

O novo governo egípcio promulgou uma constituição em 1923, com base num sistema parlamentarista representativo. Saad Zaghlul foi eleito para o cargo de primeiro-ministro pelo voto popular, em 1924. Em 1936, foi assinado o tratado anglo-egípcio, pelo qual o Reino Unido se comprometia a defender o Egito e recebia o direito de manter tropas no canal de Suez. A continuidade da ingerência britânica no país e o aumento do envolvimento do rei do Egito na política levaram à queda da monarquia e à dissolução do parlamento, por meio de um golpe militar conhecido como a Revolução de 1952. Este "Movimento dos Oficiais Livres" forçou o Rei Faruk a abdicar em favor do seu filho Fuad.

A República do Egito foi proclamada em 18 de Junho de 1953, presidida pelo General Muhammad Naguib. Em 1954, Gamal Abdel Nasser — o verdadeiro arquiteto do movimento de 1952 — forçou Naguib a renunciar, colocando-o em prisão domiciliária. Nasser assumiu a presidência e declarou a total independência do Egito com relação ao Reino Unido, em 18 de Junho de 1956, com a conclusão da retirada das tropas britânicas. Em 26 de Julho daquele ano, nacionalizou o canal de Suez, deflagrando a chamada Crise do Suez.
Nasser faleceu em 1970, três anos após a Guerra dos Seis Dias, na qual Israel invadiu e ocupou a peninsula do Sinai. Sucedeu-o Anwar Al Sadat, que afastou o país da União Soviética e o aproximou dos Estados Unidos, expulsando os conselheiros soviéticos em 1972. Promoveu uma reforma económica chamada "Infitá" e suprimiu de maneira violenta tanto a oposição política quanto a religiosa.

Em 1973, o Egito, juntamente com a Síria, deflagrou a Guerra de Outubro (ou do Yom Kippur), um ataque-surpresa contra as forças israelitas que ocupavam a península do Sinai e as colinas de Golã. Os EUA e a URSS intervieram e chegou-se a um cessar-fogo. Embora não tenha resultado num sucesso militar, a maioria dos historiadores concorda que o conflito representou uma vitória política que lhe permitiu posteriormente recuperar o Sinai em troca da paz com Israel.

A histórica visita de Sadat a Israel, em 1977, levou ao tratado de paz de 1979, que estipulava a retirada israelita completa do Sinai. A iniciativa de Sadat causou enorme controvérsia no mundo árabe e provocou a expulsão do Egito da Liga Árabe, embora fosse apoiada pela grande maioria dos egípcios. Um soldado fundamentalista islâmico assassinou Sadat no Cairo, em 1981. Sucedeu-o Hosni Mubarak. Em 2003, foi lançado o "Movimento Egípcio pela Mudança", que busca o retorno à democracia e a ampliação das liberdades civis. Desde o dia 25 de janeiro de 2011, o país assiste a massivos protestos populares contra o governo de Hosni Mubarak.

Em 11 de Fevereiro de 2011, Hosni Mubarak anuncia sua renúncia.

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