segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Exercícios - Aula - Fontes Musicais

FONTES MUSICAIS NA SALA DE AULA PARA SE ESTUDAR A RESISTÊNCIA NA DITADURA MILITAR
ANÁLISES DE FONTES MUSICAIS:
“Alegria, Alegria” de Caetano Veloso.
Lançada em Caetano Veloso álbum de 1967, "Alegria, Alegria" foi a música que apresentou o movimento tropicalista ao Brasil, em apresentação ao vivo realizada no III Festival da TV Record, em 1967. "O aspecto do grupo de rapazes de cabelos muito longos portando guitarras maciças e coloridas representava de modo gritante tudo o que os nacionalistas da MPB mais odiavam e temiam", explica Caetano no livro Verdade Tropical.

Caminhando contra o vento/ Sem lenço e sem documento / No sol de quase dezembro
Eu vou.../ O sol se reparte em crimes/ Espaçonaves, guerrilhas/ Em cardinales bonitas
Eu vou... Em caras de presidentes/ Em grandes beijos de amor/ Em dentes, pernas, bandeiras/ Bomba e Brigitte Bardot.../O sol nas bancas de revista/ Me enche de alegria e preguiça/ Quem lê tanta notícia/ Eu vou.../Por entre fotos e nomes/ Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos/ Eu vou/ Por que não, por que não...
Ela pensa em casamento/ E eu nunca mais fui à escola/ Sem lenço e sem documento,
Eu vou.../Eu tomo uma coca-cola/ Ela pensa em casamento/ E uma canção me consola
Eu vou.../ Por entre fotos e nomes/ Sem livros e sem fuzil /Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil.../ Ela nem sabe até pensei / Em cantar na televisão/ O sol é tão bonito
Eu vou.../ Sem lenço, sem documento/ Nada no bolso ou nas mãos/ Eu quero seguir vivendo, amor/ Eu vou.../ Por que não, por que não...x4..


Pra não dizer que não falei das flores “de Geraldo Vandré
Em 1968, Geraldo Vandré participou do III Festival Internacional da Canção com "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores" ou "Caminhando".
A composição era um hino de resistência contra o governo militar. O refrão "Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer" foi interpretado como uma chamada à luta armada contra os ditadores. O sucesso acabou em segundo lugar no festival, perdendo para "Sabiá", de Chico Buarque e Tom Jobim

Caminhando e cantando/ E seguindo a canção/ Somos todos iguais/ Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas/ Campos, construções/ Caminhando e cantando/ E seguindo a canção.../ Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber /Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)/ Pelos campos há fome /Em grandes plantações/ Pelas ruas marchando/ Indecisos cordões/ Ainda fazem da flor /Seu mais forte refrão/ E acreditam nas flores/ Vencendo o canhão.../ Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer...(2x)/ Há soldados armados/ Amados ou não/ Quase todos perdidos/ De armas na mão/ Nos quartéis lhes ensinam/ Uma antiga lição: De morrer pela pátria/ E viver sem razão.../ Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer...(2x)/ Nas escolas, nas ruas/ Campos, construções /Somos todos soldados/ Armados ou não/ Caminhando e cantando/ E seguindo a canção/ Somos todos iguais/ Braços dados ou não.../Os amores na mente/ As flores no chão/ A certeza na frente/ A história na mão/ Caminhando e cantando/ E seguindo a canção/ Aprendendo e ensinando/ Uma nova lição.../ Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber /Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer...(4x)

AVALIAÇÃO
:
1) Analisando as fontes musicais:
a) Fazer uma ficha técnica de cada canção [Compositor/ Ano/ Gênero/ Contexto histórico]
b) Escolher um trecho de cada canção que exemplifique uma forma de oposição ao regime político implementado na época. Justifique sua resposta.
2) Pesquise em livros ou na Internet sobre o que foi o Movimento Tropicalista, seus principais representantes e as críticas que o mesmo sofreu. Em seguida, recorte e cole imagens de tal movimento em uma folha de papel almaço.
ATENÇÃO: OS EXERCÍCIOS 1 E 2 SÃO PARA SEREM REPONDIDOS NUMA FOLHA DE PAPEL ALMAÇO E ENTREGUES NA PRÓXIMA AULA. NÃO ESQUEÇA DE COLOCAR SEU NOME !
Escute as músicas !
Caetano Veloso -Alegria, Alegria - Festival da Canção - 1967

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Geraldo Vandré - Pra não dizer que não falei das flores - 1968 - Imagens da época

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Uso das Fontes Históricas em sala de aula - Análise de Fontes Musicais



A professora Circe Bittencourt[1] demonstra que o uso de documentos ou fontes históricas nas aulas de história justifica-se pelas contribuições que pode oferecer para o desenvolvimento do pensamento histórico. Uma delas é facilitar a compreensão do processo de produção do conhecimento histórico pelo entendimento de que os vestígios do passado se encontram em diferentes lugares, fazem parte da memória social e que precisam ser preservados como patrimônio da sociedade.
A autora alerta que as fontes históricas são muito variadas quanto a sua origem, e precisam ser analisadas de acordo com suas características de linguagem e especificidades de comunicação. Como recursos didáticos, distinguem-se três tipos de documentos: escritos, materiais e visuais ou audiovisuais.
Bittencourt sugere uma proposta de análise transformando documento em material didático. Na visão da mesma é preciso descrever o documento para destacar e indicar as informações que ele contém; identificando sua natureza, explicando-o e situando-o no contexto histórico. Estes aspectos têm por finalidade a análise crítica-reflexiva do documento pelos alunos.
Neste ínterim, é muito interessante trabalhar com documentos escritos, não só os oficiais (do Estado) quantos jornais e textos literários em sala de aula sobre os quais o professor deve ter o cuidado especial com a análise de tais fontes. Isto, segundo Paulo Knauss[2] demonstra que o documento não deve ser utilizado só como ilustração, mas como conhecimento de leitura de mundo e complementação ao material didático.
A autora supracitada também esclarece que as análises de músicas são recursos pedagógicos muito próximos da vivência dos jovens estudantes, as fontes musicais podem representar o pensamento, uma crítica social ou uma vivência cultural. Destacam-se aí, por exemplo, as canções de protestos e as músicas do movimento Tropicalista na ditadura militar. Assim, pode-se fazer com que os alunos percebam a diferença entre “ouvir música” e “pensar sobre a música”.
O historiador e também pesquisador Marcos Napolitano[3] esclarece que a tipologia de uma fonte audiovisual não varia fundamentalmente dos elementos que definem a tipologia das fontes tradicionais. Basicamente, o historiador deve identificar os seguintes elementos: gênero, suporte, origem, data, autoria, conteúdo referente, acervo. Tais elementos compõem a ficha técnica das fontes, que nem sempre estão previamente elaboradas nas coleções e arquivos.
Ficha técnicas das fontes musicais: uma sugestão segundo Marcos Napolitano:
· Música: forma/gênero (por exemplo, “forma canção/ gênero samba”); suporte (por exemplo, fonograma ou partitura ou videoclipe); origem (país/estúdio); duração; data (data da gravação e da publicação do material) autoria (compositor/ intérprete/ músicos); acervo ( no qual a fonte foi encontrada).


[1] BITTENCOURT, Circe. Usos didáticos de documentos. In: Ensino de História fundamentos e métodos 2ªed. São Paulo. Cortez, 2008. p.325-343.
[2] KNAUSS, Paulo. Sobre a Norma e o Óbvio: a sala de aula como lugar de pesquisa. In: NIKITIUK, Sônia (org). Repensando o ensino de História. 6 ed. São Paulo: Cortez, 2007.
[3] NAPOLITANO, Marcos. A História depois do papel. In: PINSKY, Carla. B.(Org.) Fontes Históricas. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2006.